Em alguns dicionários, a exemplo do Aurélio, a palavra Januária é associada à cachaça. Da mesma forma, em Grande Sertão: Veredas, principal obra do escritor mineiro João Guimarães Rosa, das dezessete vezes em que o nome Januária é pronunciado pelo jagunço Riobaldo, pelo menos duas vezes ele se refere à bebida:
“Tudo em mais paz, me ofereceram: bebi da Januária azulosa – um gole me foi; cachaça muito nomeada. Aquela noite, dormi conseguintemente.”
“Haviam de querer usufruir depressa de todas as coisas boas que vissem, haviam de uivar e desatinar. Ah, e bebiam, seguro que bebiam as cachaças inteirinhas da Januária.”
Não é por acaso que a cachaça januarense ocupa lugar de destaque no cenário nacional, sendo que algumas marcas chegam a ser exportadas. A fama da cachaça januarense não se deve apenas à tradição. Na verdade, um conjunto de fatores favorece a produção de uma bebida de altíssima qualidade: o solo naturalmente corrigido devido à abundância de calcário, o clima, a umidade e a luminosidade da região, especialmente do povoado centenário do Brejo do Amparo. Junte-se a isso a experiência adquirida através do cultivo da cana-de-açúcar e da produção artesanal da cachaça, desde o surgimento do município. Atualmente, há mais de trinta engenhos nas imediações do distrito do Brejo do Amparo.